Fomos para Berlin no último final de semana. Conseguimos uma promoção bacana de uma passagem de trem para os 2 com ótimo preço. Daí que compramos e encaramos a aventura à capital alemã. Nossa amiga oriental, LiSan Sim, aquela de Singapura, viajou conosco. Partimos na 6a à noite.
Berlin é muito diferente do restante da Alemanha, principalmente das cidades do sul. Na Alemanha em geral tudo é muito organizado, florido, limpo, harmônico (dizem que alguns lugares são tão limpos que é possível colocar sua comida no chão sem grandes preocupações, pois é bem provável que a calçada seja mais limpa que a mesa de um restaurante - é claro que é exagero... e mesmo que não fosse, nenhum louco colocaria seu Schnitzel na calçada, não é mesmo?).
Berlin é outra conversa, nos lembrou muito uma versão reduzida de São Paulo. É a cidade mais pobre da Alemanha, não existem muitas indústrias e empregos para todos, o trânsito é um pouco mais complicado. Muitos lugares são realmente feios, com terrenos abandonados, prédios velhos. Outros são muito bonitos, arborizados, com prédios modernos. O governo alemão está investindo muito na cidade desde a queda do muro, assim como no restante da antiga Alemanha Oriental.
O volume de obras, prédios novos, construções em geral é muito grande, percebe-se facilmente que Berlin é uma cidade em transformação (dizem que a benção e a maldição de Berlin é a mesma: não simplesmente "ser", mas "tornar-se"). E essa transformação é notada não só na sua nova arquitetura, mas também nos gestos e modos dos berlinenses. Nossa impressão é que eles estão tentando ser um povo mais aberto e tolerante, que aceita as diferenças. É clara a vontade geral de mostrar ao mundo que Berlin não é mais a mesma. Porém, isso não é fácil e muito menos rápido, afinal de contas a unificação do país ainda é muito recente, ainda se percebe o peso de tanta história.
Ao andar pela cidade, nota-se quem pertenceu ao lado "oriental" e "ocidental". É impressionante ver como a construção do muro gerou não apenas uma enorme barreira na liberdade e no direito de ir e vir, mas principalmente uma divisão na cabeça de cada cidadão. Do lado oriental, um povo mais submisso e capaz de suportar qualquer situação sem questionar, abrindo mão de sua individualidade. Do lado ocidental, um povo mais preocupado com as questões individuais e interessado em fazer o país prosperar novamente, que no final criou até um certo preconceito contra os "primos pobres" do outro lado do muro.
Mas vamos parar por aqui com nossa análise sócio-psico-antropológica-sem-noção de Berlin, vocês podem tirar suas próprias conclusões quando a visitarem.
No sábado começamos nosso tour na frente do "Brandenburger Tor" ou Portão de Brandemburgo, cartão postal da cidade e da Alemanha, menos conhecido apenas que as cervejas e que o Schumacher. Diariamente, na frente do portão, uma empresa de turismo organiza tours gratuitos pela cidade. Dura mais ou menos 3 1/2 horas, passando pelos principais sítios históricos. Existem tours em espanhol e inglês, os guias são normalmente jovens estrangeiros que lá vivem e que apenas recebem as gorjetas no final do passeio. Fizemos o tour em inglês com a Annabel, australiana que vive em Berlin. Normalmente nós odiamos fazer tours com guias, pois as visitas costumam ser muito "langweilig" (chatas), sem contar que os guias sempre arrastam o grupo para algum shopping. Mas no caso de Berlin e especialmente deste tour, recomendamos fortemente.
No século XX Berlin foi a cidade mais importante da Europa, graças ao seu nada nobre papel central nas 2 guerras mundiais, pelo pós-guerra, muro de Berlin etc. E tudo isso pode passar desapercebido caso você não conheça o que representa cada prédio, praça ou monumento (você pode estar passando em frente a um prédio nazista ou sobre o esconderijo de Hitler sem se dar conta).
Visitamos vários lugares, como a praça para os judeus vítimas do Holocausto, o pedaço do muro que ainda existe, o check-point Charlie (antiga fronteira de imigração que separava a parte americana/ocidental e a parte russa/oriental, um dos pontos em que era possível para os ocidentais visitarem a parte oriental), praça Bebel (onde os nazistas queimavam livros), terminando nosso passeio na Museuminsel (ilha dos museus).
Após o tour visitamos o Reichstag (parlamento alemão), a Postdamer Platz (um dos lugares mais modernos da cidade), andamos novamente pela região do antigo muro e terminamos jantando em um restaurante na avenida Unter den Linden, bem pertinho do Brandenburger Tor.
No domingo acordamos cedo, deixamos nossas malas na estação de trem e começamos a caminhada. Andamos pelo Tiergarten (antigo parque, usado pelos antigos reis da Prússia para caçar patos e outros animais por diversão), cruzamos pelo meio do Zoo, caminhamos pela Ku'damm (antigo centro da parte ocidental da cidade, avenida moderna cheia de lojas e galerias), tomamos o trem para a Alexander Platz (onde está instalada a antiga torre de TV da Alemanha Oriental), visitamos outra vez a Museuminsel, caminhamos bastante às margens do rio Spree. No final paramos para um café na frente do Brandenburger Tor para nos despedir e nos mandamos para a Hauptbahnhof, estação de trem central.
2 dias foram definitivamente muito curtos, Berlin merece ao menos 4 ou 5 dias de visita. Muitas coisas ficaram para trás, não visitamos nenhum museu, o Charlottenburg (castelo), o Olympiastadion. O lado bom disso é que agora não nos resta outra alternativa além de voltar ao menos 1 vez... e tenham certeza, nós voltaremos!
Curiosidades
1) Muro - O lugar onde o muro dividia a cidade é todo marcado no chão, com uma fileira de paralelepípedos. Portanto, cuidado ao andar pela cidade, você pode estar em cima do muro!
2) Tudo do lado oriental - É muito curioso, mas todos os sítios históricos ficam do lado oriental.
3) Sachenhausen - É possível fazer um tour por um campo de concentração chamado Sachenhausen. Há visitas guiadas todos os dias, o passeio inteiro leva cerca de 6 horas.
4) Turquia - Berlin é a 3a maior cidade turca do mundo. Moram lá cerca de 1 milhão de turcos e foi lá que inventaram o Döner Kebab, conhecido no Brasil como churrasquinho grego e facilmente encontrado em qualquer esquina de qualquer cidade alemã. A propósito, é uma delícia! Se preparem, pois vocês terão que comer quando vierem nos visitar!
5) Berliner - Os famosos "donuts" americanos ou sonhos brasileiros são chamados na Alemanha de Berliner, ou seja, Berlinense. Ein Berliner bitte!
6) Semáforo Berlinense - Como vocês poderão ver em algumas fotos, Berlin possui um semáforo para pedestres único. O desenho é de um homenzinho mais gordinho e simpático. Ele é uma das heranças do governo socialista, que fazia propagandas na TV usando esse personagem para ensinar segurança às crianças. Seu nome: Ampelmann.
7) "Um brasileiro em Berlin" - O escritor baiano João Ubaldo Ribeiro viveu 15 meses em Berlin e escreveu o livro a que nos referimos aí no título. Leitura obrigatória para quem quer conhecer um pouquinho mais das diferenças culturais entre Brasil e Alemanha. Tem até um pequeno manual de sobrevivência: "Alemanha para principiantes". (valeu Cris e Fê por esse maravilhoso presente!)
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